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22 Dezembro 2009
Há 5 anos atrás, a 26 de Dezembro 2004, um sismo com enorme magnitude atingiu a costa da ilha de Sumatra criando um tsunami que varreu o Oceano Índico. Milhões de pessoas em todo o mundo assistiram horrorizadas às consequências do maior desastre natural de que há memória à medida que os desenvolvimentos passavam nos seus ecrãs de televisão. Mais de 230 000 pessoas perderam as suas vidas em 14 países. Depois, seguiu-se uma generosidade extraordinária. Nos últimos cinco anos a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho canalizou donativos do público para os programas de recuperação que têm vindo a apoiar quase cerca de 5 milhões de pessoas nos quatro países mais afectados: Indonésia, Máldivas, Sri Lanka e Tailândia.
A enorme escala e alcance desta operação significou que milhares de pessoas estão agora a viver em casas mais robustas apoiadas por fundações económicas e sociais sustentáveis. Mais de 57 000 casas foram construídas ou estão a ser completadas. Mais de 650 000 pessoas têm agora água potável para beber. Mais de 94 000 famílias têm barcos, redes para pescar, utensílios agrícolas ou usaram subsídios para ajudar a recuperar os seus meios de subsistência. Estão a ser ultimadas as obras em 363 hospitais e clínicas. Foram construídas 161 escolas, com mais 11 a caminho.
Tudo isto não seria possível sem duas características únicas da Cruz Vermelha: redes de origem activas antes, durante e depois do desastre, em conjunto com fundos e capacidades das mais de 100 Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho de todo o mundo. Globalmente a Cruz Vermelha recebeu um valor sem precedentes, correspondendo a 1/5 de todos os fundos recebidos em todo o mundo para apoiar as famílias e comunidades após o desastre. As actividades iniciais focaram-se nas necessidades de emergência das pessoas. Mais tarde, evolui-se para a reconstrução das comunidades e dos seus meios de subsistência.
Nesta operação de 5 anos tem sido transversal a obrigação de deixar um legado de comunidades mais seguras e Cruzes Vermelhas e Crescentes Vermelhos mais fortes inseridos nelas. Procurámos construir novamente melhor - e conseguimo-lo. Nos últimos 5 anos a Cruz Vermelha tem consistentemente prestado contas e sido transparente, não só para o público, que contribuiu com 69% dos fundos do tsunami, mas também perante as comunidades afectadas pelo desastre, cuja participação é vital para a sustentabilidade dos programas.
À medida que a enorme tarefa de reconstrução de casas, hospitais, sistemas de água e meios de subsistência vai terminando, podemos ver claramente as lições aprendidas com o tsunami e de como esta operação mudou a forma como a Cruz Vermelha responde a desastres de grande escala. Capacitar famílias e comunidades para que tenham acções preventivas em seu próprio benefício, sem depender de ajuda externa, é uma das mais claras e inalteráveis lições aprendidas com o tsunami. O objectivo é sempre deixar as pessoas melhor do que estavam, reforçar os mecanismos já existentes para lidar com as situações e construir a sua resiliência ao que o futuro lhes traga. Este é o verdadeiro legado da operação tsunami. A si, que contribuiu tão generosamente, o nosso obrigado.

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